Atenção: Perigo Trabalho!
Ainda sobre Carreira, trago hoje um texto que mexe com a forma com que encaramos o Trabalho.
por Suely Pavan
“Se o homem não sabe fazer outra coisa a não ser trabalhar ou recompor forças para começar um novo ciclo de trabalho, é preciso constatar que nossa evolução reduziu o ser humano a um ser cujo cérebro e mãos só servem a um fim - o trabalho.”
Philippe Godard – Autor do Livro “Contre le Travail”

Na França algumas pessoas resolveram parar de trabalhar. Estes “desertores do mercado de trabalho”, como os chama Pierre Carles querem mais tempo para si mesmos. Tempo para passear, ir aos museus e curtir a vida. Trabalhar para viver e viver para trabalhar, não é com eles!
Óbvio que para fazer isto eles tiveram que abrir mão do consumo. Vivem apenas com o mínimo necessário. Supérfluos nunca mais!
Aliás, fiquei sabendo que na França não existem supermercados. Os habitantes solicitam que nas ruas circulem menos carros, para expandir o espaço nas calçadas e permitir a conseqüente instalação de mesas e cadeiras para bater papo. O clima por lá parece muito mais provinciano do que americano. O francês gosta de ir ao açougue, à peixaria e ao mercado. Gosta de estabelecer vínculos e de não viver do “self service”. E por este motivo cultural o movimento contra o trabalho ganha força por lá.
Recentemente ocorreram três suicídios de executivos na França, e a causa que muitos estudiosos apontam é justamente a pressão no trabalho. Um dos executivos suicidasi nclusive deixou um bilhete dizendo que não conseguia mais satisfazer as expectativas de sua empresa.
Doenças do trabalho, humilhação e baixos salários também são mostrados no documentário “Attention: danger travail”(“Atenção: perigo trabalho”), de Pierre Carles, Stéphane Goxe e Christophe Coello, que foi exibido em Paris.
Os entrevistados de “Attention…” foram demitidos, tiveram uma longa doença ou experiências muito negativas no mundo do trabalho e decidem não mais trabalhar. Um deles nunca entrou nesse mundo e é um dos que melhor articulam o discurso anti-trabalho. Eles todos se recusam a ser soldados da guerra econômica pela produtividade, mal pagos e asfixiados pelo medo de perder o emprego. Chegaram a essa convicção através de uma reflexão sofisticada e têm uma argumentação consistente e bem articulada para justificar a recusa a “trabalhar para viver e viver para consumir”.
Enquanto a França se dá o direito à preguiça, aqui no Brasil o mercado aquece e com ele os empregos crescem.
Segundo dados do IBGE São Paulo tem o menor índice de desemprego desde 1996.
Há vagas no mercado, e todo dia dou de cara com elas e as publico no meu blog. Apesar disto muita gente ainda diz que há desemprego no Brasil.
Conheço selecionadores que estão se descabelando para conseguir candidatos para vagas onde a qualificação é pequena: operadores de telemarketing, empregadas domésticas, auxiliares de produção.
Não entendo como muita gente ainda diz que não consegue um emprego quando a exigência é baixa como nas vagas citadas. A desculpa que sempre leio é que as empresas pedem qualificações altíssimas. Tenho contato diário com as vagas existentes no mercado, e parece que na “vida real” não é isto que acontece.
Será que o brasileiro sem qualificação quer mesmo trabalhar?
Ou será que há um movimento aqui parecido com o da França e que ainda não foi divulgado pela mídia?
A diferença é que por lá o seguro desemprego gira em torno de 425 euros. E por aqui muita gente prefere colocar filhos em faróis pedindo esmolas ao invés de trabalhar.
De qualquer forma, viver focado apenas no trabalho é um desperdício de vida. Trabalhar apenas para ter o home theather, o notebook, e não sei mais o que de última geração é focar apenas no consumo e não na vida.
Trabalhar com prazer é sem dúvida um grande prazer.
Porém, é necessário sempre refletir sobre o significado do trabalho em nossas vidas, lembrar-se que todos os regimes políticos idolatraram o trabalho como a salvação.
“O trabalho liberta” era a inscrição gravada num arco na entrada do campo de concentração de Auschwitz. Este era o pensamento dos nazistas.
Reflexão, lazer,leitura, passeios e andar de mãos dadas não fazem mal a ninguém. Ficar de pernas pro ar sem fazer nada também faz muito bem!
Suely Pavan é Psicóloga, psicodramatista. Sócia-Diretora da PAVAN DESENVOLVIMENTO. É “Isqueira” do Café Brasil, de Luciano Pires.











Na França algumas pessoas resolveram parar de trabalhar. Estes Íesertores do mercado de trabalho%D, como os chama Pierre Carles querem mais tempo para si mesmos. Tempo para passear, ir aos museus e curtir a vida. Como você está encarando seu trabalho?
Na França algumas pessoas resolveram parar de trabalhar. Estes “desertores do mercado de trabalho”, como os chama Pierre Carles querem mais tempo para si mesmos. Tempo para passear, ir aos museus e curtir a vida.
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