Em 2015, Brasil já terá mais de um celular por habitante
Livro-reportagem debate os cenários mais prováveis da vida humana na próxima década, com o impacto das tecnologias da comunicação e da informação (TCIs) na visão de 50 famosos cientistas do Brasil e do mundo.
Não seremos, necessariamente, mais felizes. Mas teremos à nossa disposição tecnologias fantásticas. Em 2015, milhões de brasileiros estarão usando supercomputadores de bolso em seu dia-a-dia. O número de usuários de celular no mundo ultrapassará os 3 bilhões, para uma população global de 7,2 bilhões de habitantes. Satélites girarão em torno da Terra, em formação, como esquadrilhas de aviões, às centenas, oferecendo-nos mil opções de lazer e informação. A quarta geração de celulares, 4G, interligará todas as redes, viabilizando a computação sem limites, ou pervasive computing.
Bilhões de minúsculos microprocessadores com capacidade de comunicação estarão espalhados por todos os lugares, invisíveis, embutidos nas roupas das pessoas, nas paredes, nos semáforos ou nos automóveis. Eles controlarão o trânsito. Reconhecerão a placa de carros roubados. Identificarão o rosto de bandidos, chamarão a polícia e informarão o cidadão de tudo o que se passa à sua volta. Adeus, privacidade. O comércio eletrônico móvel estará explodindo. Seremos, então, milhões de consumidores móveis ou m-consumers, a fazer compras em qualquer lugar, no automóvel, no avião, na praia, na rua ou no meio do mato. E pagando tudo com cartões de crédito virtuais instalados no celular.
Embutiremos chips no sapato das crianças, na coleira dos bichos de estimação, no chifre das vacas de raça e na pele dos vips e big shots que precisam ser localizados com urgência, quando seqüestrados. Os sistemas de localização via satélite (Global Positioning Satellite - GPS) ou via celular (location based services) estarão em nosso cotidiano.
Antecipo nesse livro um aparelho pessoal, o VTC, abreviatura de video-telephone-computer, uma evolução sofisticada dos smartphones de hoje. Do tamanho de um livro de bolso, ele será um híbrido de celular, computador e receptor de TV digital. Com acesso ultra-rápido à Web e capaz de traduzir automaticamente quatro línguas, ele será o dream gadget do executivo. Já estou usando um precursor do VTC, bem menos talentoso. Com ele, acesso a internet e falo com o mundo, aqui ou viajando pela Europa ou Estados Unidos. Em 2015, as máquinas falarão. Quase como gente.
Em 2015, as fibras ópticas interligarão o Brasil de norte a sul. As novas redes sem fio WiMax, de banda larga, cobrirão a maioria das cidades, com acesso gratuito em muitas delas. A informatização pública maciça poderá realizar o sonho do governo eletrônico, que vence a burocracia e a lentidão da Justiça.
O mundo do entretenimento está ganhando DVDs de alta definição. O CD tende a desaparecer para a maioria dos consumidores, substituído por memórias flashPara os mais exigentes, haverá super CDs, com som espacial, envolvente, multicanal, próximo da fidelidade absoluta. A tecnologia digital de áudio e vídeo estará cada dia mais integrada, consolidando a fusão entre Web, TV e cinema. O video on demand (VOD) ou a la carte triunfará, finalmente, como negócio rentável. Os novos home theaters, de alta definição, chegarão à classe C. A escola se tornará ubíqua, presencial ou virtual, acessível em todos os lugares. Educação e entretenimento convergirão, sempre e cada dia mais, tornando a aprendizagem mais criativa e interessante.
Embora as transformações em curso no mundo da tecnologia sejam sabidamente rápidas, não é preciso recorrer a nenhuma ficção ou fantasia para se ter uma visão bastante próxima do mundo por volta de 2015.
Para todos os cientistas ouvidos, as tecnologias da informação e da comunicação (TCIs ou, na abreviatura internacional ICTs, de information and communication technologies) continuarão mudando profundamente a vida humana, a casa, a escola, o trabalho, a comunicação, o entretenimento, o escritório, a indústria, o governo, a sociedade, enfim, com a possível inclusão de vastas multidões no Brasil e no mundo, mas, também, com o risco de excluir outros milhões.
Para os especialistas que estudam o potencial das telecomunicações sem fio, é bem provável que o número de usuários de celular no mundo ultrapasse a marca dos 3 bilhões em 2015, quando a população do planeta deverá atingir 7,2 bilhões de habitantes.
O Brasil, em 2015, terá mais telefones do que gente, como, aliás, já acontece desde a metade de 2004 com as cidades de Brasília ou Ribeirão Preto. O total de assinantes de telefone celular no País poderá superar os 180 milhões.
Este é o cenário mostrado no livro 2015 – Como viveremos, numa visão abrangente das transformações da vida humana na próxima década, em conseqüência direta do impacto das tecnologias da informação e da comunicação, que englobam computadores, telecomunicações, componentes microeletrônicos, fibras ópticas, satélites, internet e redes de todos os tipos.
Para escrever esse livro-reportagem, o autor Ethevaldo Siqueira entrevistou mais de 50 cientistas, escritores, pesquisadores, visionários ou pensadores do amanhã, entre os quais famosos futurólogos, como Arthur C. Clarke, Alvin Toffler, Don Tapscott, Nicholas Negroponte, João Antônio Zuffo (da USP); Jean-Paul Jacob (de Berkeley e da IBM); Horst Störmer (dos Bell Labs e Prêmio Nobel de Física de 1998); Michio Kaku, Bill Gates (da Microsoft), Scott McNeal (da Sun Microsystems), John Chambers (da Cisco), Carly Fiorina (então na HP) e Craig Barrett (Intel), entre tantos outros.
Não se trata de ficção, mas de extrapolação tecnológica, segundo a visão desses cientistas e líderes. Para quem acompanha o desenvolvimento das novas tecnologias, não é difícil prever como será o computador daqui a 10 anos. Nem que os avanços da microeletrônica continuarão. Nem que, nos países industrializados – e em algumas regiões metropolitanas do Brasil – bilhões de minúsculos microprocessadores com capacidade de comunicação estarão à nossa volta, espalhados por todos os lugares.
Mesmo em países emergentes como o Brasil, a China e a Índia, a comunicação wireless cobrirá a maioria das cidades com as novas redes sem fio WiFi e WiMax, WiMesh, de banda larga. Mais de 60% dos habitantes desses países terão acesso gratuito à Web. O governo eletrônico atenuará boa parte dos problemas de ineficiência burocrática, pois a informatização levará novos recursos à administração pública, à Justiça, à previdência, às escolas e aos hospitais.
O preço disso? Em primeiro lugar, há riscos de um imenso desemprego tecnológico e de graves ameaças à privacidade. Mas há, também, soluções possíveis ou pelo menos paliativos para esses problemas.
A opinião majoritária dos cientistas, no entanto, é otimista. O mundo de 2015 será muito mais globalizado, mais complexo e mais interligado pelas comunicações e pela informação. A antevisão desses famosos entrevistados, embora possa parecer exagerada no contexto de 2004, nos convence de que, em apenas uma década, muitos milhões de brasileiros estarão usando PDAs mais poderosos do que os supercomputadores de hoje.
Em lugar de capítulos convencionais, o livro 2015 – Como viveremos mostra tendências e cenários, como a casa do futuro, a escola, o escritório, o lazer, o trabalho, os serviços públicos (governo eletrônico), a inclusão digital e outros aspectos, bem como as várias etapas das transformações que ocorrerão em cada um desses setores ou ambientes.
ETHEVALDO SIQUEIRA Clique aqui para ler o primeiro capítulo (pdf).













O Brasil, em 2015, terá mais telefones do que gente, como, aliás, já acontece desde a metade de 2004 com as cidades de Brasília ou Ribeirão Preto. O total de assinantes de telefone celular no País poderá superar os 180 milhões.
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