O Sorvete de Baunilha e a GM
Olhem como qualquer reclamação de um cliente pode levar a uma descoberta totalmente inesperada do seu produto.
Parece coisa de louco, mas não é.
Esta é a moral de uma história que está circulando de boca em boca entre os principais especialistas norte-americanos em atendimento ao cliente.
A história ou “causo”, como está sendo batizada aqui no Brasil, começa quando o gerente da divisão de carros da Pontiac, da GM dos EUA, recebeu uma curiosa carta de reclamação de um cliente.
Eis o que ele escreveu:
“Esta é a segunda vez que mando uma carta para vocês, e não os culpo por não me responder. Eu posso parecer louco, mas o fato é que nós temos uma tradição em nossa família, que é a de comer sorvete depois do jantar. Repetimos este hábito todas às noites, variando apenas o tipo do sorvete, e eu sou o encarregado de ir comprá-lo. Recentemente comprei um novo Pontiac e, desde então, minhas idas à sorveteria se transformaram num problema. Sempre que eu compro sorvete de baunilha, quando volto da loja para casa, o carro não funciona se compro qualquer outro tipo de sorvete, o carro funciona normalmente. Os senhores devem achar que eu estou realmente louco, mas não importa o quão tola possa parecer minha reclamação. O fato é que estou muito irritado com meu Pontiac”.
A carta gerou tantas piadas do pessoal da GM que o presidente da empresa acabou recebendo uma cópia da reclamação.
Ele resolveu levar a sério e mandou um engenheiro conversar com o autor da carta.
O funcionário e o reclamante, um senhor bem-sucedido na vida e dono de vários carros, foram juntos à sorveteria no fatídico Pontiac.
O engenheiro sugeriu sabor baunilha para testar a reclamação e o carro efetivamente não funcionou.
O funcionário da GM voltou nos dias seguintes, à mesma hora, e fez o mesmo trajeto, e só variou o sabor do sorvete.
Mais uma vez, o carro só não pegava na volta, quando o sabor escolhido era baunilha.
O problema acabou virando uma obsessão para o engenheiro, que passou a fazer experiências diárias, anotando todos os detalhes possíveis e depois de duas semanas, chegou a primeira grande descoberta.
Quando escolhia baunilha, o comprador gastava menos tempo, porque este tipo de sorvete estava bem na frente.
Examinando o carro, o engenheiro fez nova descoberta:
Como o tempo de compra era muito mais reduzido no caso da baunilha, em comparação aos tempos dos outros sabores, o motor não chegava a esfriar.
Com isso, os vapores de combustível não se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantânea.
A partir deste episódio, a Pontiac mudou o sistema de alimentação de combustível e introduziu a alteração em todos os modelos a partir desta linha.
Mais que isso, o autor da reclamação ganhou um carro novo, além da reforma do que não pegava com sorvete de baunilha.
A GM distribuiu também um memorando interno, exigindo que seus funcionários levem a sério até as reclamações mais estapafúrdias, “porque pode ser que uma grande inovação esteja por atrás de um sorvete de baunilha” diz a carta da GM.
Isso serve para as empresas nacionais que não tem o costume de dar atenção a seus clientes, tratando-os até mal.
Com certeza esse consumidor americano comprará um outro Pontiac, porque qualidade não está somente na produção, está também no atendimento que dispensamos aos nossos clientes.
“Tempos Loucos, exigem empresas Malucas” – Tom Peters
- novembro 14, 2008
- artigo por Fabio Camatari
- 5 comentários
E no Twitter...
Veja Também:
-
Figura de Transição – por Paulo Kretlyat março 3, 2010 with 0 comentários
-
Destino de um líder – Da inexperiência a falta de paciênciaat fevereiro 9, 2010 with 0 comentários
-
Usando o “10-10-10” para tomar suas principais decisões!at fevereiro 8, 2010 with 6 comentários
-
Uma imagem vale mais que 140 caracteres?at fevereiro 3, 2010 with 1 comentário
-
Regras básicas de comunicação profissional por e-mailat janeiro 26, 2010 with 0 comentários












5 comentários em “O Sorvete de Baunilha e a GM”
17 de janeiro de 2009 às 12:41
Este texto exemplifica a importância que uma organização séria dá a uma única reclamação, porque a mesma sabe que o cliente é o fator chave não só para manter a empresa, mas como verificar se realmente o produto é bom. Já conhecia o texto, e não me canso de dizer que este foi o melhor exemplo de profissionalismo, competência e organização da GM. E o que é melhor, o cliente além de ter sido atendido (o que por si só, já é algo louvável nos dias de hoje), ficou satisfeito com o produto e presteza da organização. Perfeito!
21 de janeiro de 2009 às 20:09
Esse e um exemplo de como todas as empresas deveriam agir… mas isso seria um pouco utópico, pois num país como o nosso, cada um puxa a sardinha pro seu próprio lado, até o consumidor… ninguém se importa com niguém, e se tiver um jeito de passar a perna um no outro, é isso que fazem… é um problema cultural mesmo! A cultura dos espertinhos.
15 de dezembro de 2009 às 18:22
e depois a GM faliu, acabando com a marca pontiac
Deixe uma resposta