Corrida Etílica
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Enquanto a São Silvestre reúne a elite do atletismo mundial, uma corrida maluca agita Itanhaém, no litoral paulista. É a polêmica Corrida de Santo Onofre, o santo dos cervejeiros, o “maior evento etílico-desportivo da América Latina”, como proclamam os organizadores. Dela não participam os corredores sóbrios. Só ébrios. Por que Onofre? Porque @ atleta começa em ON e termina em OFF(re). 76% são homens e os 24% ficam com as mulheres e uns caras que você não sabe se são eles. Aí é que são elas.
A corrida corre por conta de uns quinze patrocinadores que montam um palco com muitos shows que atraem jovens de todas as idades. Até da terceira. Os curiosos tomam a praia e bebem, entrando no clima. Cada participante paga vinte reais e recebe uma camiseta com seu número. A organização é quase impecável. Quase por conta do atraso na largada. Prevista para iniciar à uma da tarde, chega duas, três, quatro horas, e nada. Quando reclamam do atraso, vem a resposta esperta: – Eu disse: uma hora começa! E não que começava à uma hora… Antes da largada, surge um “Santo Onofre” vestido a caráter, com uma latinha de cerveja na mão, que abençoa os corredores bem suados.
Para completar a “maratoma”, o amante da loira gelada deve ingerir apenas 8 latas de cerveja e a mulher uma, duas, três, quatro. De quatro também é como chega a maioria ao final da prova, sem conseguir fazer um quatro. Os corredores-bebedores, ou versa-vice, não têm pedigree. No máximo, desculpem a minha cachorrada, são uns vira-latas.
Em cada etapa de abastecimento de “combustível”, o atleta é liberado após a entrega da lata vazia. Fiscais não faltam para desclassificar os espertos que dão cerveja pro santo… Feliz com a etapa cumprida, vai em direção à próxima que parece ainda mais comprida. Em geral, o participante conhece seu limite e sai da brincadeira porque sabe que um gole a mais de cerveja pode ser a gota d’água… Se alguém Extra Polar, o segurança segura o inseguro e dá-lhe um banho de mar pra ele segurar a onda.
A chegada é uma festa. Cambaleando ou não os primeiros colocados ficam bem na foto mesmo um pouco “altos”. Mesmo os baixinhos. Abraçados, vencedores e vencidos vão bebemorar no quiosque-sede onde são recebidos com uma faixa: “Sêde bem-vindos os que têm sede! Se dê bem, aqui”
A maior corrida etílica da Latinha-América, prova que correr e beber, uma mistura insana, ajuda a manter mens sana in corpore sano. Quem duvida que corra pra ver a próxima corrida. É diversão garantida. Prevalece o espírito skoltivo, ou seja, o importante é beber e não competir, como diria um barão cobertinho de razão.
Quem bebe com moderação, nesta São Silvestre à álcool, não vai longe. Mas se o atleta se exceder pode cair de cara na areia e apagar. Só não morre na praia porque Santo Onofre aparece e salva esse com-cerveja que nasceu virado pra lua.
Vida longa para esta corrida maluca. Graças a ela, se tudo correr bem, todo ano velho terminará zuzobem e o novo ano começará bem zuzo. Valeu, Santo Onofre! E feliz 2000…Onofre!
Texto de Jorge Nagao. Este post foi autorizado pelo autor.
- dezembro 26, 2008
- artigo por Fabio Camatari
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