Jornalista, Blogueiro ou o quê?
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A tempos venho refletindo sobre o “fim” da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para se “escrever”.
Esta semana encontrei um texto e uma imagem que refletem bem o momento que passamos e que transmuta diariamente este meio.
Eu, por exemplo, não sou jornalista. Sou Tecnólogo com pós graduações nas áreas de engenharia e administração, mas desde sempre leio e escrevo sobre o que gosto, dou minha opinião e ouço o dobro delas. E virei um “blogueiro”.
Tudo bem que não possuo o tempo de estrada que muitos por aí na “blogosfera”, mas também não entrei nessa apenas pela “onda”. Tenho muito a crescer e me cerco de pessoas e informação para me tornar um pouco melhor a cada dia.
Não tenho pretensões de ser Jornalista graduado, mas quem sabe um dia posso vir a ser marginalmente, visto que ao menos tomo alguns cuidados que os estudantes da dita cadeira não tomam (veja texto abaixo).

Jornalismo e salsichas (por Alexandre Pelegi)
Para quem reclama da queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, respondo que é preciso antes repensar como são formados os novos profissionais. Há alguns meses escrevi este artigo, e infelizmente sei que antes de exceção, esse fato é regra…
Você estuda gastronomia e tem a chance de conhecer um dos mais famosos restaurantes. Por onde começaria sua visita? Você está no meio de um curso de Engenharia de Produção e surge a chance de visitar uma grande montadora de veículos. O que faria? Você estuda jornalismo e o rádio é o veículo que o atrai. Se pudesse conhecer um programa, onde focaria sua pesquisa?
Estas perguntas parecem tolas, mas revelam um lado perigoso em que incorrem muitos estudantes de jornalismo. Mensalmente alguns deles visitam o programa para – dizem – “ver como funciona” o Transnotícias. Mas ao chegar à rádio a maioria passa direto e reto pela redação e se enfurna no estúdio. Demonstram não se incomodar em acompanhar como é feito o processo inicial de leitura das notícias, a seleção do que vale a pena ser noticiado, nem como tudo isso termina em redação final das notas que vão ao ar. Sequer desconfiam de como funciona o processo de produção de áudio, os softwares usados, os profissionais envolvidos, os limites impostos pela dura realidade diária. Estão a poucos metros de onde tudo é feito, têm o futuro da profissão acontecendo diante de seus olhos e passam ao largo… Preferem o glamour da apresentação ao estafante processo da produção; agem como ouvintes, esquecem que querem ser jornalistas…
É como se o estudante de gastronomia fosse ao badalado Fasano e sequer adentrasse a cozinha ou falasse com o Chef. Ou o futuro Engenheiro de Produção optasse por uma palestra da diretoria da Ford ao invés de conhecer o chão da fábrica… Como diz o caipira, é gente que prefere ver as pingas que a gente toma a descobrir os tombos que a gente leva…
Uma famosa frase do chanceler alemão Otto von Bismarck deixa implícito o papel da imprensa: “Quanto menos o povo souber como são feitas as salsichas e as leis, mais tranquilo será o seu sono.” Pois um estudante de jornalismo, até pelo compromisso que a profissão exige com a verdade, deveria descobrir como os jornalistas do rádio fabricam suas salsichas. É o mínimo que se espera dele…
- julho 22, 2009
- artigo por Fabio Camatari
- 4 comentários
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4 comentários em “Jornalista, Blogueiro ou o quê?”
22 de julho de 2009 às 21:40
Exigência desnecessária de diplomas
Merece aplausos a decisão da Suprema Corte de recusar a obrigatoriedade de diploma para jornalistas.
Se para publicar o que ele escreveu, Machado de Assis necessitasse de diploma, a humanidade teria se privado de um dos maiores gênios mundiais da literatura.
Há vários requisitos e modos para se aprender e desenvolver competência profissional, sendo o estudo universitário, geralmente, apenas um fator contributivo, mas não indispensável.
Por isso, a sociedade tem-se beneficiado, em todos os tempos, de excelente desempenho de pessoas, sem diploma, para exercer diversas atividades e profissões, em diversos campos de conhecimento, arte, literatura.
Na política, na religião, na empresa, devemos a inúmeros não diplomados, destacadas contribuições de enorme valor social, devido à liderança, empreendedorismo, criatividade, persistência, estilo diferenciado de aprendizado, e outros atributos da rica personalidade de cada ser humano.
Se para a seleção de recursos humanos, os empregadores exigem desnecessariamente o diploma, como ocorre em muitos casos, podem estar privando as empresas, instituições e a sociedade em geral, da contribuição de pessoas de enorme potencial para se destacarem pelo ótimo desempenho.
José Walter Toledo Silva
24 de julho de 2009 às 9:12
José Walter, falou e disse! Ótimo comentário, obrigado!
31 de julho de 2009 às 9:35
Otimo post.
É fato mesmo que há muitos “amadores” mais profissionais do que muitos “profissionais”.
Expressão é uma dádiva que ja vem de berço, lógico que boas técnicas sempre são recomendadas em qualquer área.
Ah Parabéns.
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