O vôo do sabiá
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(por Luciano Pires)
Quando deixei a empresa onde trabalhei por 26 anos, escrevi um texto chamado “Sobre Canários e Sabiás” onde comparei a segurança do canário (o executivo) preso na gaiola, com a liberdade do sabiá (o empreendedor) que podia voar para onde quisesse.
Bem ja dá para fazer uma avaliação do vôo do sabiá. Tudo começa com uma embriaguez de liberdade. Não é mais preciso estar no lugar tal na hora tal todo dia. Não é mais preciso enfrentar um trânsito infernal para ir trabalhar. Não é preciso mais fazer papel de bobo da corte na comédia corporativa. Não é preciso usar terno e gravata. A agenda é sua e você faz o que quiser com ela. Não encontro outro termo: embriaguez. Você fica embriagado com a liberdade. É outra dinâmica, outro mundo.
Então você toma contato com culturas diferentes daquela onde você atuou durante anos. E descobre que em muitos aspectos você está anos luz à frente de empresas que você sempre admirou. Descobre que os problemas se repetem não importa em que ramo de atividades você atue. Então vem a percepção da perda do sobrenome corporativo.
Agora você é um mané qualquer que vai experimentar as cadeiras das salas de espera. Descobrirá que já não tem tantos amigos como parecia. Eu já tinha me preparado, pois conversei com muitos ex-executivos que mudaram para sabiá.
Mas nunca me preparei para a morte do que chamo de “etiqueta corporativa”. E esse tem sido o maior obstáculo ao vôo do sabiá.
- julho 29, 2009
- artigo por Fabio Camatari
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