Gestão de pessoas em tempos de crise
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A palavra crise tem vários significados. Para o vendedor de lenços é oportunidade, para o fabricante de fogos de artifício é sinal de “vacas magras”. Para o otimista é momento de criar novas demandas e ganhar dinheiro, para o pessimista é hora de ficar quieto e esperar passar.
Qualquer que seja a crença, entretanto, é o componente humano quem define o tamanho, o sucesso ou a derrota.
Toda crise é mais humana que material, mais psicológica que real, mesmo que econômica ou técnica, nasce das falhas humanas. Afeta primeiramente as pessoas e pode até ter desfecho trágico.
Poucos têm a real dimensão de como ela abala a estrutura psicológica das pessoas, de como o medo paralisa a inteligência.
Estudiosos da mente alertam para os efeitos perversos do pânico, da depressão, da apatia e da corrente da má notícia. Os consultórios psiquiátricos e psicológicos estão abarrotados de gente, incluindo trabalhadores e empresários, que buscam na terapia e nos psicotrópicos a segurança que o ambiente de negócios e o do trabalho não estão lhes proporcionando.
O empregador não dorme mais pensando na ameaça aos lucros e o empregado tem pesadelos com o fantasma do desemprego. Os dois sabem da dependência um do outro para obter resultados, mas num momento em que só se fala em crise, o medo e o suspense falam mais altos. É um clima digno de um filme de Alfred Hitchcock.
No desespero empresarial a ordem é cortar custos, e a primeira conta é a folha de pagamento. Entretanto, sem gente motivada não há criatividade, não há encantamento de clientes, não há argumento de vendas, e o negócio pode morrer de inanição. Abrir mão de bons talentos é burrice. Além dos custos financeiros e emocionais pode comprometer o futuro quando a crise passar.
Uma boa capacidade de gerir pessoas é o ponto chave neste momento. E começa pelas lideranças. O presidente da empresa, ao invés de fazer ameaças, deve demonstrar que é destemido, mesmo que, às escondidas, esteja acendendo velas pro santo. Chefe bumbum-mole deve ser despachado para a concorrência.
Às lideranças gerenciais compete, prioritariamente, monitorar o clima organizacional e agir para criar positividade, que começa com os dirigentes sendo transparentes, dando direcionamento, conversando com as pessoas, mostrando a realidade, desafiando a criatividade, pedindo adesão e destacando os pontos fortes que a organização tem para enfrentar a tempestade. Demissões devem ser o último recurso e não o primeiro. Antes é preciso verificar que processos e excessos podem ser eliminados. Ao cortar despesas, não devem confundir economia com mesquinharia.
Na agenda deve estar o desafio de motivar as pessoas para transformar a empresa numa organização mais ágil, com maior qualidade e imbatível na oferta dos seus produtos.
É momento de ter cuidado no trato com as emoções para não ter uma empresa cheia de gente doente.
É hora de também usar a inteligência, pregada por Daniel Goleman, autor do best-seller Inteligência Emocional, que nos alerta para os efeitos positivos da intuição, da empatia, da compaixão e outros sentimentos.
Mais que nunca, é tempo de empregados e empregadores darem as mãos e usar a força dos vários tipos de inteligência de que são dotados.
Fonte: Carlos Hilsdorf – Cícero Domingos Penha – Vice-Presidente do Grupo Algar e autor do livro Atitude é Querer.
- novembro 26, 2009
- artigo por Fabio Camatari
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