Como usar a rentabilidade passada
Há uma frase continuamente difundida quando da divulgação de fundos de investimento sobre a qual, pela banalização, acabamos por não prestar atenção: “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”. Ao contrário, acabamos por fazer exatamente o contrário, isto é, tomarmos nossas decisões de investimento com base nessas informações.
Ainda em 2007, o portal Infomoney realizou uma pesquisa não científica, que na minha opinião seria confirmada se feita com rigor, cujo resultado foi quase um terço a favor da esperança. A esperança, no caso, é a rentabilidade passada.
Não que você deva ignorar os resultados prévios dos fundos de investimento, aliás, de qualquer outra aplicação, mas devemos utilizar a informação com todo cuidado possível.
Veja que a utilização dos retornos pretéritos é uma prática do dia-a-dia dos gestores de riscos. Eles olham como se comportou a série, de modo que possam ser obtidos parâmetros estatísticos, indicativos da “periculosidade” do ativo. Ora, mas o que é isso se não uma certa “confiança” no fato de que o passado se repetirá. O pessoal da gestão de risco, por óbvio, não baseia suas decisões apenas nisso, mas fortemente nisso.
Esta prática é justificável, uma vez que se trata, em alguns casos, da única ferramenta disponível. Alerto, todavia, que tal comportamento tem que ser adotado com plena consciência do que se está fazendo.
Não vou abordar todos os componentes de análise de fundos de investimento nesta breve discussão, mas chamar a atenção para duas práticas aconselháveis no momento de analisar um ou outro fundo. Denomino de análise vertical e análise horizontal. A primeira é aquela que você realiza quando está de posse de um informativo do banco (aquela lista de fundos e o resultado acumulado no ano, mês, etc.). Na análise vertical, a nossa tendência é compararmos coisas distintas, isto é, um fundo referenciado DI com um fundo de ações. Nesse caso, são duas formas de investimento diferentes e destinadas a perfis de investidor e a objetivos também diversos.
No caso da análise horizontal, por sua vez, estamos tratando de um trabalho de comparação “entre” administradores. Você terá que buscar informação de outros fornecedores de fundos para realizar esta tarefa, após a escolha do fundo que vá atender o seu perfil de investidor e o seu objetivo.
Como vimos, não há garantia dos resultados futuros, mas a informação passada pode ajudar no seu trabalho de análise do que é melhor para os seus investimentos. Portanto, meu conselho é: resista à tentação de utilizar os dados de maneira equivocada.
Humberto Veiga é doutor em economia pela Universidade de Brasília. Como palestrante, participou de vários eventos aqui e no exterior, tendo ministrado cursos em vários programas, inclusive de pós-graduação.
- dezembro 10, 2009
- artigo por Fabio Camatari
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