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Reflexões sobre nossa democracia


Hoje trago outro “Isqueiro”, importado do site de Luciano Pires: Paulo Saab. Uma rápida reflexão sobre nossa democracia…

Por Paulo Saab

Reflexões são sempre pensamentos que buscam avaliar situações e entender como as coisas se passam. Refletir sobre como vai indo a democracia brasileira, de forma simples, não faz mal algum
Sob o ponto de vista, por exemplo, dos direitos e deveres que consagram a maturidade de uma democracia, o Brasil tem avançado bem.
Pelo ângulo das liberdades individuais e coletivas, preconizadas na Constituição também tem havido grandes conquistas e a liberdade, bem maior de uma democracia, está a cada dia, a cada eleição, a cada pleito, com as raízes mais fortes na vida institucional do Brasil.
Há ainda muitos pontos onde precisamos evoluir para assegurar que a cidadania no Brasil está consolidada num país democrático.
A questão partidária, por exemplo, onde entram a fidelidade, o voto distrital, o voto facultativo, a imposição de horários eleitorais, esses pontos, para citar só alguns, ainda pedem um melhor amadurecimento.
O horário obrigatório eleitoral, neste caso, é algo que destoa de uma plena democracia, revelando que o Estado ainda se impõe à sociedade. Em diversos países democráticos do mundo os partidos políticos com suas arrecadações compram os horários. Aqui as emissoras de televisão e radio são obrigadas a ceder espaço. A programação das emissoras é interrompida bruscamente para uma exposição partidária que se torna antipática.
Entendo que a plenitude da democracia e da cidadania exige conhecimento e responsabilidade. Razão pela qual, uma vez mais, a consolidação de nossa ainda juvenil democracia passa pelos investimentos maciços em educação para educar nossa população e estabelecer uma relação menos dependente entre a sociedade e o Estado. Vivemos numa democracia, mas ainda em construção.
Vejamos, em outro exemplo, a disputa, entre Barack Obama e Hillary Clinton, para ser o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos.
É algo que deve ser olhado com muito interesse pelos brasileiros.
A Nação brasileira está sendo construída e nossas bases democráticas ainda estão em estágio inferior ao já alcançado pelos Estados Unidos. Lá a vida política é regulada sem imposições do Estado, os cidadãos são livres para decidir se querem participar das eleições ou não e os dispositivos constitucionais que garantem a igualdade de direitos, conquistados com muita luta e exigindo permanente vigilância, têm sua vigência respeitada.
O surgimento da disputa pela indicação para concorrer à Casa Branca, entre um político de origem africana, de cor negra, e uma mulher, torna-se, no quadro norte americano algo inusitado, mas natural. Não foi fruto de nenhuma cota, de nenhuma imposição, mas principalmente, do exercício de participação dos negros e mulheres na vida política do país.
No Brasil a cidadania precisa evoluir assim como a participação dos brasileiros comuns, homens, mulheres, negros, ocidentais, orientais, brancos, todos igualados pela condição da cidadania brasileira, participando de sua vida política.
Vai demorar um pouco mais, mas vamos chegar lá. Ainda precisamos vencer nossa própria falta de informações e conhecimentos sobre isso.


Paulo Saab é graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidade como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos, associações e organizações nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.

Choque Anafilático


Neste feriadão, mais um texto de Tom Coelho para refletirmos a respeito de atitude!

“Nada é veneno e tudo é veneno; a diferença está na dose.”
(Paracelsus)

Por Tom Coelho
Em maior ou menor grau, somos todos autodidatas. Aprendemos muito por meio de estudos, bastante através de nossos relacionamentos e uma infinidade pela nossa própria experiência.

A pessoa que se entusiasme a solucionar problemas elétricos ou hidráulicos em sua casa, desmontando e refazendo utensílios e eletrodomésticos, poderá adquirir uma competência digna de engenheiro. Analogamente, alguém envolvido com muitas questões de justiça poderá alcançar um conhecimento que o aproxime de um bacharel em Direito.

Seguindo este raciocínio, pessoas acometidas por enfermidades desenvolvem um “quê” de médicos. Aprendem desde os jargões da profissão, até a fazer diagnósticos, chegando mesmo à automedicação, incluindo o conhecimento do princípio ativo e informações técnicas dos produtos, suas indicações, contra-indicações, reações adversas e posologia. São os ditos antibióticos, assim denominados porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida.

Tive uma infância marcada por uma saúde debilitada. Problemas do sistema respiratório. Uma bronquite persistente que deu as mãos a uma febre reumática e me tornaram um convidado freqüente de farmácias. No lugar de picolés de limão, uva ou abacaxi, injeções de penicilina. De tanto tomar antibióticos, meu organismo criou resistência.

É sempre assim: todo recipiente tem uma capacidade limitada ao seu volume máximo. Depois disso, ele transborda. E a culpa não é daquela gota adicional, mas de todas as outras depositadas anteriormente. É por isso que há relacionamentos que se desfazem. Não foi por uma única palavra, gesto ou ação. Foi por causa de todas as palavras, gestos e ações que se antecederam. Mas isso é outra estória…

Há alguns dias fiz um tratamento dentário. A microcirurgia causou um esperado processo inflamatório no local afetado. Sempre tratei osteoartrite com Vioxx, medicamento retirado da praça em setembro de 2004 depois de comprovados os riscos vasculares proporcionado aos usuários. Em seu lugar, o dentista receitou-me dois similares.

Conforme relatei, meu organismo resistente legou um ser que não pode ficar doente. Basta um comprimido de antiácido contendo acetilsalicílico ou um analgésico à base de dipirona sódica, por exemplo, para desencadear reações alérgicas que podem demandar, de acordo com a dosagem, uma traqueostomia – para quem não sabe, um procedimento altamente invasivo que consiste em fazer uma abertura na traquéia para permitir a entrada de ar, a passagem do oxigênio que alimenta a vida.

Na farmácia, após ler a bula dos dois medicamentos substitutos prescritos, descobri que ambos são contra-indicados a pessoas alérgicas ao ácido acetilsalicílico. Assim, evitei o risco de um choque anafilático, rumando para minha casa. Sentindo dor, porém vivo.

Então, coloquei-me a pensar na vastidão deste país de dimensões continentais, no baixo índice educacional da maioria da população, nas deficiências de nosso sistema de saúde. E imaginei quantos são vitimados todos os dias por diagnósticos superficiais decorrentes da não realização de exames – para redução de custos – e de profilaxias inadequadas por inépcia, omissão ou mera falta de atenção dos profissionais.

Os mais pobres não lêem receituários porque não entendem a letra, não lêem bula porque isso é coisa de médico e fazem apenas o que o “doutor” recomenda porque estes são tidos como mensageiros de Deus na terra. E acabam por morrer achando o ato natural e obra da divina providência.

Tom Coelho, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting e Diretor Estadual do NJE/Ciesp. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br.

Melô do Congresso


Esta semana Luciano Pires oferece a todos um ótimo exercicío político. Em tom que parece brincadeira (mas o contexto é bem sério), parodiou a música Felicidade e criou assim a Melô do Congresso. Com direito a vídeo e tudo mais…

orquestrado por Luciano Pires

Meu título de eleitor já tem 33 anos. E nesse tempo todo em que treinei minhas habilidades como eleitor, parece que o atributo que mais desenvolvi foi a desconfiança. Não sei como é com você, mas em ano eleitoral eu sinto uma espécie de angústia. Quero conhecer os candidatos, mas não sei direito onde procurar as informações. E quando as encontro, não sei se acredito. Todos parecem ter um passado a esconder ou um futuro a desconfiar. E quando encontro algum que julgo merecer meu voto, logo vem alguém dizendo que não é bem assim, que o primo da tia do vizinho da cunhada dele ouviu dizer que a pessoa tem rabo preso… Que dureza!

A única certeza que tenho é que urna não é lixeira. Voto não é brincadeira. O voto é a única arma para liquidar com os bandidos. E sabe o que mais? O bandido está lá, ocupando aquela cadeira porque nós a deixamos vaga. Não gostamos de política. Eles gostam…

Milhões de pessoas vendem seus votos, negociam sua vergonha. Outros milhões optam por desistir, por lavar as mãos, como Pilatos. Mas muitos milhões não aceitam ser reféns da negociata, da bandidagem, da enganação. Em qual milhão você se insere?

Pois bem… Apesar de minha angústia e incertezas, decidi fazer alguma coisa para evidenciar a importância das escolhas nas eleições. Em 2004 criei uma ferramenta para tratar desse assunto de forma irreverente e séria ao mesmo tempo: as melôs. Parodiando músicas conhecidas e sob forma de pequenos filmes protagonizados por bonecos de uma egüinha e três vaquinhas, que cantam e dançam de forma engraçada, as melôs foram feitas para serem distribuídas como um vírus pela internet.
Os bonecos são manipulados por profissionais bonequeiros da companhia Trucks. São fascinantes. Você pode até não gostar, mas sua filha gosta…

Muito bem. Tudo isso para apresentar o novo lançamento, a Melô do Congresso. Baseada na música Felicidade, de Lupiscínio Rodrigues, com letra de Junior Poli, Labi Mendonça e eu mesmo e arranjos e interpretação de Sérgio Sá, a Melô do Congresso vai direto ao ponto:

MELÔ DO CONGRESSO

Honestidade foi-se embora / E a vergonha no Congresso já não mora /
Esperança no Brasil, só piora / Porque sei que a falsidade lá vigora

O deputado já começa aproveitando / Mete a mão, vai desviando
E não pára de roubar / E o dinheiro do hospital / Vai pra boiada, / Pra amante e o novo carro / Que o Juninho vai comprar

Moralidade foi-se embora / E a maldade no Congresso é lá que mora /
E é por isso que o nosso só se explora / Porque sei que a pilantragem lá vigora

O deputado fala errado / Ri à toa, se fingindo de inocente / E começa a enrolar / E o coitado que votou nessa pessoa / Lembra o voto, que vergonha / Quatro anos pra aturar

Seriedade, foi-se embora / O picareta virou dono, e nos devora / E o povo inteiro já percebe, a ilusão / De que a política em Brasília / É enganação

Daqui a pouco é eleição e lá vêm eles, / Com sorriso, abraço e beijo / Pro meu voto conquistar / E eu mando à merda, não sou burro nem palerma /
Ninguém mais me passa a perna / Eu vou botar pra quebrar

Renovação vamos embora / Que a limpeza do Congresso, não demora
Não sou trouxa, tô cansado / Vou à forra / Porque sei que a falsidade não vigora

O vídeo já está disponível em meu site ou no YouTube, em http://br.youtube.com/watch?v=hfGo5GecgeY .

E você pode fazer o download do vídeo pelo link:

http://www.lucianopires.com.br/video/MeloDoCongresso.wmv

Ajude a distribuir essa mensagem. Mande o link para seus amigos e inimigos, para o padre, o delegado, o vereador, o deputado, o gerente do banco e a dona do bordel.

Esta brincadeira é muito séria.

Ressentimento


Mais uma vez meu atual momento profissional influencia na escolha de um artigo… Pois acredito que assim como eu, outros possam se identificar com o texto. Vale o comentário: saiba diferenciar o que é ser “bonzinho” e o que é ser “do Bem”. Pense nisso…

Res-sen-ti-men-to

por Daniel Carvalho Luz
“A raiva é um vento que apaga a lâmpada da mente.”

(…)

Você tem ferida no coração?

Talvez a ferida seja antiga. Um genitor violentou você. Um professor o humilhou. Um companheiro o traiu. Um sócio o enganou, deixando você com opção de pagar as dívidas ou ir à falência. E você ficou aborrecido.

Ou talvez a ferida seja recente. O amigo que lhe deve dinheiro acaba de passar dirigindo um carro novo. O chefe que lhe deu o emprego com promessa de promoção esqueceu a pronúncia de seu nome. (…) Os filhos que criou parecem ter esquecido que você existe. E você ficou magoado. (…)

E você tem uma decisão a tomar. “Apagarei o fogo, ou o alimentarei? Esqueço ou me vingo? Liberto-me, ou fico ressentido? Permitirei que sejam curadas minhas feridas, ou as transformarei em ódio?”

Aqui está uma boa definição de ressentimento: é deixar suas feridas se transformarem em ódio. Ressentimento é permitir que aquilo que está matando você o destrua totalmente. Ressentir-se é atiçar, alimentar e abanar o fogo, aumentando as chamas e reavivando a dor.

(…) Ressentimento é uma palavra que define a si mesmo. Pronuncie esta palavra vagarosamente: Res-sen-ti-men-to. Ela começa com um som semelhante a um rosnado (rrr…). Como um urso com mau hálito ao despertar de um período de hibernação, ou como um sardento cachorro vira-lata defendendo seu osso na sarjeta da rua.

Estar junto de uma pessoa ressentida e acariciar um cão rosnando proporcionam igual “prazer”.

Você não gosta de ficar junto das pessoas que nutrem ressentimento? Não é um prazer ouvi-las contar seu conto lamuriento? Elas são tão otimistas! São cheias de esperança! Explodem de alegria com a vida! Você sabe que não é assim. (…)

Perdoe!E você? Está permitindo que suas feridas se transformem em ódio? (…) O ressentimento é a cocaína das emoções. (…) Uma pessoa inclinada à vingança inconscientemente se afasta mais e mais da capacidade de perdoar, porque sem raiva ela está privada de uma fonte de energia.

Livre-se do ressentimento porque como a cocaína pode matar o viciado, a raiva também pode matar o raivoso. Pense nisto e comece a perdoar.

“O ódio não afeta o objeto odiado, mas arrasa o receptáculo que o carrega”. (Tom MacDonald Hill)

Texto adaptado do livro Insight I, por Daniel Carvalho Luz (RH Positivo), para o Primeiro Programa.

Objetivos – tenha ao menos um!


Hoje pela manhã, ouvi um texto muito bom sobre Objetivos. Faça uma pausa, liste seus objetivos, tenha-os em mente, seja fiel a eles, mude-os se for necessário, mas mantenha-os sempre bem claros a você e sua família.

por Andrew Matthews

O objetivo é aquilo que nos faz seguir adiante… Quando perdemos nosso momento e nossa direção, estamos simplesmente perdidos! Você já notou que, em geral, o período em que ficou mais feliz foi no meio de um projeto, e não no fim? Já percebeu que assim que termina alguma coisa fica logo ansioso procurando outra? Pois então…

ObjetivosÉ próprio de nossa natureza ter objetivos. Não podemos viver sem eles, pelo menos, não por muito tempo. Por isso, se você não tem uma lista deles em mãos, está precisando de uma. O tipo de objetivo não é tão importante, desde que você tenha um!

Algumas pessoas conseguem adiar continuamente a realização daquilo que elas consideram que devem fazer na vida. Elas não têm certeza de que o objetivo que têm em mente é o mais perfeito para elas, por isso nunca fazem nada!… Vale lembrar que as pessoas bem sucedidas encaram uma escolha errada como uma valorosa experiência de aprendizado… Isso é o que chamamos de “precessão”, ou seja, o princípio que sempre nos assegura de que ganhamos muitas coisas além do próprio objetivo em si. De fato, o mais importante não é alcançar o objetivo, mas aprender e crescer ao longo do processo….

Se você decide que vai atravessar a Europa a pé, ou que vai ter uma Ferrari, ou se decide começar o seu próprio negócio, a coisa mais importante não é a caminhada, o carro ou o negócio – mas o tipo de pessoa que você precisa se tornar para atingir o seu objetivo. Enquanto persegue seus objetivos, você pode desenvolver mais coragem e determinação, refinar seus poderes de persuasão, aprender sobre disciplina pessoal, desenvolver sua resistência, adquirir mais autoconfiança, encontrar seu parceiro na vida, ou apreender a preencher um cheque…

Quando estamos elaborando um objetivo, é válido lembrar de como as coisas funcionam neste planeta. Nada por aqui percorre linhas restas; portanto, nenhum objetivo é alcançado sem reveses – os reveses fazem parte do plano das coisas… As pessoas bem sucedidas não são tão brilhantes, talentosas e únicas assim. Elas apenas têm um certo conhecimento sobre a maneira como as coisas funcionam e percebem que seu progresso pessoal se dá de acordo com os princípios que governam tudo em torno delas. Elas percebem que nós alcançamos nossos objetivos por meio da correção contínua. Nós nos desviamos do caminho, corrigimos o curso e voltamos para ele. Os navios fazem isso… Portanto, corrigir é a ordem.

Texto de Andrew Matthews no livro “Seja Feliz“, veiculado hoje pelo Primeiro Programa.

Geórgias


Em seu artigo desta semana, Luciano Pires traz o relato de Geórgia, uma pessoa do Bem. Nada mais justo que seja estampado no Almanaque, feito para Gente assim, com atitude.

por Luciano Pires – Café Brasil

Os e-mails que recebo de leitores são uma riquíssima fonte de inspiração. Retratam fatos, sentimentos, visões de mundo e me honram quando descubro que existe gente informada, interessada e inteligente estabelecendo um diálogo internético comigo. Mas certos e-mail são mais especiais que outros. São aqueles que tratam de sonhos, de ideais, de paixões e de esperanças. Aqueles que desnudam a alma de quem escreve. Como este, remetido por Georgia, lá do Rio Grande do Sul:

“Luciano, eu estudei praticamente minha vida inteira em escola pública. E você deve ter ciência da anêmica produtividade que esse ensino nos proporciona. Professores de péssima qualidade que devolvem aos estudantes a pobreza do contra-cheque numa aula débil e limitada. Não vou culpar a todos, mas a maioria confirma minhas palavras.
EducaçãoConcluí meu segundo grau, pasme: não sabendo o que eram capitanias hereditárias. Passei a vida escolar ouvindo isso, mas não fazia idéia do que se tratava. Decidi então fazer vestibular para qualquer curso superior que me parecesse divertido (afinal, estudo não tinha exatamente um sabor adocicado na minha língua). Optei por Relações Públicas na federal do Rio Grande do Sul. Média alta. Precisava estudar e para isso era necessário saber o que eram as tais capitanias hereditárias. Abri temerosa um livro de história e comecei a ler… e ler… e ler… Não me satisfiz com história, passei para português, geografia, biologia… continuei a ler, ler… Tive a grata surpresa de perceber em mim a paixão pelo estudo, pelo saber… Ou seja, uma tremenda CDF.
Em meio a essa descoberta, tomei a decisão de virar professora. Mas não uma professora qualquer, minha idéia era ser uma representante da educação estilo Kevin Kline em o Clube do Imperador. Melhorar essa porcaria de ensino do qual eu sou fruto. Bom, a história é que graças ao Prouni vou cursar este ano a faculdade de geografia. Eu, sendo carente, consegui bolsa integral.
Estou conseguindo a realização de um sonho. Prestes a virar a partir de março uma universitária, eu sei que farei parte dos 13% da população brasileira que têm ensino superior. E, claro, sendo eu um projeto malogrado de um ensino deficiente, tenho consciência do quanto essa vitória sinaliza minha força de vontade. Sei que meu plano megalomaníaco de ascender a educação brasileira a um nível de país desenvolvido é um projeto que não poderei arcar sozinha. Enfrentarei a desvalorização de uma profissão, um salário irrisório e um cansaço diário pré e pós aula.
Porém, se de trinta alunos, um sair da sala de aula com vontade de continuar em meio aos livros, com consciência política, econômica e ambiental, com discernimento mais amplo da realidade; eu já terei sobre o meu travesseiro uma mente tranqüila de quem não está deixando a vida passar em branco. Cansei de culpar o governo. Se é a minha parcela que posso dar, ela será entregue de forma integral.”

Faça sua parte!

Não conheço a Georgia. Não sei quantos anos ela tem, qual a cor de sua pele, se é gorda ou magra, loira ou morena. Só consigo imaginá-la a partir do texto que me emocionou.

Qual é a fórmula para produzir mais Geórgias? Não parece que é sua origem. Não é a educação. Não é a posição social. Não são as oportunidades. Parece que é um fogo interior, a vontade de aprender.
Mas antes de tudo vem algo mais importante. Geórgia não se conformou. Tomou uma decisão, enfrentou os riscos, sentou para ler e descobriu uma paixão. Georgia se deu uma chance. Mais que isso: mostrou-se generosa. Colocou como objetivo estimular outras Geórgias.

Os urubus vão achá-la sonhadora, iludida, inocente.
Para mim, Geórgia é necessária.

Nossa Missão Pessoal


“O que existe atrás de nós e o que existe à nossa frente são problemas menores, se comparados ao que existe dentro de nós.” – Oliver W. Holmes

Este é o primeiro texto de minha autoria a ser postado no Almanaque… que responsabilidade!
Escreverei sobre algo que realmente teve efeito sobre meu comportamento: a descrição de minha Missão Pessoal.

Por Fabio Camatari

Meus últimos anos foram marcados por intensa busca de conhecimento nas áreas de liderança, comportamento e eficácia, tanto profissional quanto pessoal. Assim, uma das obras que li foi justamente “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey. Confesso que comecei a ler este best seller com certo receio, pois já na capa temos a inscrição “Lições Poderosas para a Transformação Pessoal”.

O livro realmente possui lições poderosas, mas gostaria de partilhar algo que realmente fez a diferença e que carrego constantemente comigo, minha Missão (ou Credo) Pessoal.

Uma maneira eficaz de obter Liderança Pessoal é ter seus objetivos sempre em mente. Temos que nos exercitar para saber exatamente o que queremos para nossas vidas. Citando Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe para onde deseja ir, qualquer caminho servirá…” Primeiramente, saiba que todas as coisas são criadas duas vezes.

Sim, tudo é criado duas vezes, a primeira, mentalmente e a segunda, na prática. Imagine construir uma casa sem os desenhos e plantas, planejar uma viagem sem conhecer o roteiro ou caminhos a seguir.

Imagine então seu próprio funeral. O que gostaria que as pessoas presentes nele dissessem a seu respeito, antes do enterro? Nele estão sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho e também os conhecidos de qualquer organização ou grupo a que pertença. Viu algo familiar entre o que imaginou e o que está fazendo neste momento?

Assim você pode começar a esboçar este caminho pelo qual alcançará seus objetivos, ou como deseja ser reconhecido. Vale lembrar que cada um tem suas necessidades ou desejos, mas uma história que resume o perfil daquele que que se prende apenas às realizações materiais: Dois amigos se encontram depois da morte de outro amigo – “Sabe quanto ele deixou?” e o outro responde: “Ele deixou tudo…”

Sugiro que faça a mesma reflexão, colocando no papel tudo aquilo que assim deseja e mantenha sempre a vista. Revise periodicamente, para saber se deve acrescentar algum valor ou princípio. Sua Missão será sua própria Constituição. Quer um exemplo do que colocar? Veja um trecho de minha própria:
“Seja bem sucedido em casa, como marido e pai; busque e seja digno da ajuda de Deus; nunca comprometa sua honestidade e valores; lembre-se de todos envolvidos no que faz; dê conselhos; ouça sempre os dois lados; ouça o dobro do que fala; defenda os ausentes…” e por aí vai.

Em meu atual momento profissional, me manter fiel ao que acredito tem sido determinante na forma de conduzir minha vida e a principal ferramenta para isso, está fixa em minha mesa, bem ao lado do monitor do computador.

Ainda vou voltar a este assunto…

Fabio Camatari (sou eu!)é tecnólogo, pós graduado em engenharia e administração. Paralelamente almeja um dia ser ouvido por mais pessoas que os pacienciosos amigos e a amável esposa.

Ensaio sobre a Amizade


Gostaria de trazer um texto sobre a Amizade. Em busca de meus próprios arquivos e de sites de outros autores, encontrei o Ensaio sobre a Amizade, de Tom Coelho, que trago agora na íntegra.

por Tom Coelho

“A gente só conhece bem as coisas que cativou.
Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas.
Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.
Se tu queres um amigo, cativa-o!”
(Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe)

Amizade

Quando crianças, temos um mundo inteiro para descobrir e explorar. E este mundo parece não ter fronteiras, tamanha sua vastidão. Olhamos ao redor e tudo o que vemos é a linha do horizonte.

Mas há um aspecto muito bem delimitado. Ele corresponde à amizade. Nossos amigos são poucos e estão sempre próximos. Acompanham-nos à escola, curtem o recreio conosco, partilham a merenda. Ao lado deles fazemos as tarefas, estudamos para as provas, praticamos esportes e brincamos.

A idade avança e somos contemplados com o rótulo de adultos. Mudam nossos propósitos, responsabilidades e prioridades. E, quase que invariavelmente, também mudamos de casa, de bairro, talvez de município, Estado ou mesmo país.

Nosso mundo, agora, fica bem delineado. Passamos a tratar com mais e mais pessoas e, paradoxalmente, cultivamos menos amizades porque nossas relações são todas marcadas com o lacre da superficialidade.

Pessoas entram e saem de nossas vidas. Muitos passam a ser nossos conhecidos, de um vizinho que mora na casa ao lado ou no apartamento do andar de cima, a profissionais que vemos em uma reunião de negócios ou congressos. Sobre estes, pouco ou nada sabemos, nem mesmo o nome.

Já alguns passam a ser nossos colegas. Dividem o tempo e o espaço conosco, sobretudo no ambiente de trabalho. Por conta deste vínculo, temos objetivos comuns, metas a serem alcançadas, até valores corporativos alinhados! Sabemos seus nomes, seus cargos, suas atribuições, mas podemos conviver por anos separados por uma única divisória ou porta sem conhecer suas preferências, sua família, sua história de vida.

De tanto refletir, descobri algumas coisas que dizem respeito à amizade.

Amigos são pessoas que compartilham com alegria as nossas vitórias, mas que nos acolhem despretensiosamente nos maus momentos. Nós os descobrimos na adversidade e na infelicidade. São apoiadores por natureza, mesmo quando discordam de nossas posições. Bons ouvintes, concedem-nos sua atenção e sabem que muitas vezes não queremos opiniões ou comentários, mas apenas sermos ouvidos com paciência.

Adeptos da diversidade, pouco lhes importam aspectos como raça, credo ou condição sócio-econômica, pois respeitam nossas diferenças antes mesmo de desfrutar as semelhanças. Surpreendem-nos com freqüência e são admiráveis confidentes, compartilhando seus segredos – e os nossos.

Não existem bons ou maus amigos, sinceros ou dissimulados. Por definição, um amigo é verdadeiro, honesto, leal e digno de honra e admiração. Lembro-me de Publius Syrus: “A amizade que acaba nunca principiou”.

Melhor do que conquistar novos amigos é conservar os velhos. Por isso, visite seus amigos com freqüência. O mato cresce depressa nos caminhos que são pouco percorridos. Relacionamentos não se constroem por telefone ou e-mail. São bons expedientes para se manter uma amizade, mas precisamos mesmo é estar “cara a cara” com as pessoas que apreciamos. Olhos que brilham, braços que envolvem, palavras que acalentam. Vale o alerta de Fred Kushner: “Eu deveria ter visitado mais meus amigos e lhes contado como me sentia em vez de só encontrá-los em enterros”.

A amizade torna as pessoas mais amenas, gentis, generosas e felizes. Mas, para se ter amigos, é preciso antes ser um. E isso envolve atitude…

Começar junto e terminar junto. Assim se edifica uma sólida amizade.

Tom Coelho, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting e Diretor Estadual do NJE/Ciesp. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br.

Que tipo de profissional o mercado está querendo?

CarreiraMax Gehringer, escritor e consultor, popular no meio empresarial, pode ser assitido regularmente no Fantástico, aos domingos na rede Globo e ouvido na rádio CBN.

por Max Gehringer

Está mais fácil conseguir emprego no Brasil. De cada 15 pessoas que procuraram emprego em 2007, 14 conseguiram. Logo, quem está na luta não deve desanimar. Existe emprego e todas as pesquisas recentes mostram isso.

As estatísticas confirmam: está mais fácil conseguir emprego no Brasil. Em algumas cidades, como São Paulo e Belo Horizonte, o aumento da oferta chega a 7%.

Mas isso não quer dizer que não haja concorrência. Há e muita. As chances são cada vez maiores para quem tem diploma universitário. Para esclarecer, convocamos nosso consultor Max Gehringer para saber que tipo de profissional o mercado está querendo.

Para quem está procurando emprego, as horas passam devagar e as semanas passam depressa. No Brasil, atualmente, existem duas situações contraditórias. Tem gente que está procurando emprego e não acha. Tem empresas querendo contratar, mas não encontram os candidatos certos.

De cada 15 pessoas que procuraram emprego em 2007, 14 conseguiram. Logo, quem está na luta não deve desanimar. Existe emprego e todas as pesquisas recentes mostram isso.

Estamos falando da quantidade de vagas e não da qualidade delas. Existem duas coisas que essas pesquisas não mostram.

A primeira é o grau de satisfação de quem está empregado. Com a função, o ambiente da empresa, as possibilidades de carreira, o mau humor do chefe, ou com o café que não tem cheiro nem gosto.

E a segunda coisa é que muitos profissionais não estão atuando na área em que se formaram. É aquela dúvida entre aceitar o que aparece ou esperar pelo emprego perfeito.

O emprego perfeito não existe. Mas a situação atual, embora não seja a ideal, é a melhor dos últimos anos. Pensando num futuro bem próximo, quando as boas vagas estarão ainda mais disputadas, aqui vão quatro recomendações.

Primeira: quem é jovem não deve esperar muito para conseguir o primeiro emprego.

Segunda: se não houver uma vaga na área que você deseja, não fique parado. É melhor aceitar uma oportunidade razoável que aparece, do que ficar esperando pela vaga perfeita.

Terceira: estude. Não importa se você tem 20 ou 40 anos. Um diploma, que parece não fazer falta hoje, fará muita falta amanhã.

Quarta: acerte no curso. Uma coisa é o que a pessoa gostaria de estudar. Outra coisa é saber se existirão oportunidades naquela área.

Uma das maiores consultorias de recrutamento do Brasil informou que, no ano de 2007, para aquelas vagas que exigem curso superior, os profissionais mais procurados foram os formados em Engenharia, Administração de Empresas e Informática.
Por isso, antes de optar por um curso que tem um nome bonito e atrativo, dê uma pesquisada para saber qual é o tamanho do mercado para aquela profissão.

Max Gehringer é consultor, administrador e autor. Escreve sobre de carreira e gestão de empresas. Texto publicado no site do Fantástico.

ORAÇÃO AO POCOTÓ


UM EXECUTIVO – UM COMUNICADOR MULTIMÍDIA – UM CARTUNISTA – UM AVENTUREIRO
UM JORNALISTA – UM ESCRITOR – UM CONTADOR DE HISTÓRIAS – UM PALESTRANTE

Este é Luciano Pires, que regularmente está estampando o Almanaque com reflexões das mais diversas…

por Luciano Pires – Café Brasil

Como um dos primeiros posts, gostaria de apresentar a “Oração ao Pocotó”.
Um temível ex-professor de meus tempos de faculdade dizia: “Pensar não dói!”
Aquilo faz tanto sentido hoje em dia…

Oração ao Pocoto

ORAÇÃO AO POCOTÓ

Senhor fazei de mim um instrumento contra o pocotó.
Onde houver burrice que eu leve a sabedoria;
Onde houver certeza, que eu instaure a dúvida;
Onde houver rancor, que eu leve a união;
Onde houver medo, que eu propague a fé;
Onde houver conformismo, que eu introduza a indignação;
Onde houver desespero, que eu chame a esperança;
Onde houver tristeza, que eu promova a alegria;
Oh! Mestre, fazei com que eu procure mais pensar do que ser pocotizado,
compreender do que ser enganado,
desasnar do que ser asnado,
pois é dando que se recebe, é pocotizando que se é pocotizado,
e é pensando que se nasce para a vida eterna.

Amém.