O texto a seguir foi extraído da excelente coluna de Max Gehringer para a Rádio CBN.
“Uma ouvinte pergunta: ‘Se você tivesse que dar um único conselho a um profissional, qual seria?’
Seria: não desista!
Um fato triste, porém, comum é um profissional com muito talento ficar marcando passo. O mercado de trabalho está repleto de gente assim. Nós olhamos para a pessoa e pensamos: ‘ela tem tudo para ir longe na carreira’. Mas aí, o tempo passa e não acontece nada. 4 anos depois a pessoa está no mesmo lugar fazendo a mesma coisa. O talento continua lá. É como se fosse um belo carro sem gasolina, chama a atenção, mas não se move.
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Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a Outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.
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JÁ HOUVE UM TEMPO EM QUE “SER DEMITIDO” ERA QUASE SINÔNIMO de “ser publicamente humilhado”. Um funcionário dispensado, com ou sem justa causa, ficava marcado para o resto de sua carreira. Era o que se
chamava, até 1980, de “sujar a Carteira”. Mas até 1980 demissões eram raras.
Funcionários só eram demitidos por razões muito óbvias, como desonestidade comprovada ou tentativa de estrangulamento do chefe. Esse tempo acabou. De dez anos para cá, as demissões viraram rotina. Grandes empresas mundiais anunciam cortes de dois, cinco mil, dez mil funcionários. E ainda recebem elogios dos analistas de mercado. A conclusão é simples.
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SE VOCÊ JÁ PREPAROU OU ESTÁ PREPARANDO UM CURRÍCULO, HÁ UMA razoável possibilidade de ter tido aquele longo momento de hesitação e se perguntado: e agora? minto OU não minto?
Não se preocupe, isso é normal. Aliás, as duas coisas são normais, tanto a hesitação quanto a mentira. Mentir no currículo é um esporte universal. Não há, que eu saiba, dados estatísticos brasileiros a respeito de mentiras em currículos. Continue lendo aqui…
OS CURRÍCULOS ESTÃO CADA VEZ MAIS IGUAIS. HÁ EMPRESAS especializadas em montar currículos que só mudam o nome da pessoa.
Esses currículos começam com verbos agressivos na primeira pessoa, tipo implantei, liderei, organizei, coordenei… e continuam com os resultados numéricos fantásticos que a pessoa conseguiu em sua carreira. Tanto que, há dois anos, eu cheguei a uma conclusão interessante: todas as pessoas que podiam salvar as empresas do buraco estavam desempregadas. Cheguei a essa conclusão somando os números de 50 currículos que recebi pelo correio, num dia só.
Essas 50 pessoas, segundo os currículos, haviam economizado mais de 300 milhões de reais para as empresas onde trabalhavam, tinham aumentado o faturamento delas em 45% e tinham coordenado investimentos que ultrapassavam 500 milhões de reais. E foram todas despedidas. O que me levou a pensar num complô: será que as empresas estão despedindo os funcionários mais eficientes? Claro que não, salvo algumas exceções. A verdade é que esses currículos cheios de superlativos não impressionam mais.
Olhando pelo lado positivo, sua única utilidade é virar papel reciclado. Muito mais importante que o currículo em si é uma carta pessoal, feita sob medida para cada empresa que vai receber o currículo. Uma vez recebi uma carta que começava dizendo “Prezado Senhor… Sou entregador de pizza”. Era de um jovem que fazia bico como motoboy de pizzaria nas noites de sábado, para poder pagar a faculdade. E pedi para contratar o sujeito imediatamente. Ali estava um exemplo de alguém com determinação e entusiasmo. Portanto, a carta personalizada é o que realmente vai fazer a diferença.
O currículo é só o anexo.
Fonte: Max Gehringer, para a rádio CBN.
EM ALGUNS PAÍSES DA EUROPA JÁ EXISTE UMA LEI QUE OBRIGA AS empresas que demitem funcionários, sem justa causa, a prestar-lhes assistência profissional e psicológica. A parte profissional consiste em ajudar na preparação e no envio do currículo e no treinamento para entrevistas. E o acompanhamento psicológico serve para diminuir aquele trauma pós-demissão. E no Brasil?
Bom, no Brasil, por enquanto, o funcionário demitido tem que se virar sozinho. Ligar para os amigos, dizer que a vida é assim mesmo, e pedir ajuda aos poucos que estão dispostos a ajudar de verdade. Mas existe uma variante esperta: agências especializadas em recolocação.
Essas agências funcionam assim: elas entram naqueles sites que têm milhares de currículos expostos e escolhem uma dúzia deles.
A escolha é feita pelo tempo que um profissional passou na empresa e pelo cargo que ele ocupou. Porque alguém que tenha tido um bom cargo durante cinco ou dez anos deve ter algum dinheirinho guardado. Aí, a agência entra em contato com o novo desempregado e diz que tem uma vaga perfeita para ele. Para consegui-la, ele só terá que pagar uma pequena taxa, que varia entre 100 e 500 reais. Não há, é claro, garantia de que o emprego será conseguido, mas as chances são enormes. O desempregado se empolga e paga, e realmente será chamado para um par de entrevistas, em empresas que fazem parte do esquema da agência de recolocação.
Mas logo descobrirá que o sonhado emprego era uma doce ilusão. E, pior de tudo, não terá do que reclamar, porque o esquema não é ilegal, já que o pagamento da taxa não garantia um emprego. O nome técnico que se dá a essa atividade é picaretagem.
É claro que existem empresas honestas de recolocação no Brasil. Mas essas não abordam ninguém: é preciso que o interessado vá procurá-las. Por isso, quem for abordado, deve abrir o olho. Além de ter ficado sem o emprego, há o risco de ficar também sem a poupança.
Fonte: Max Gehringer, para a rádio CBN.
EM ENTREVISTAS, UM FATOR MUITO IMPORTANTE É O QUE SE CHAMA de gestual do candidato. Como ele senta, onde põe as mãos, se apóia os cotovelos na mesa, se cruza as pernas, se cobre a boca com a mão quando fala… bom, a Lista é enorme. E entrevistadores profissionais estão sempre muito atentos a essa coleção de pequenos gestos, que dizem muito sobre um candidato antes mesmo que ele comece a abrir a boca e a falar. Pelo menos uma dúzia de vezes na vida, eu entrevistei pessoas que me impressionaram profundamente. Para começar, elas entravam na sala com o que chamamos de postura vencedora. O corpo reto, a cabeça erguida, os passos firmes. Em seguida, apertavam minha mão com confiança.
E sentavam-se com a coluna reta, sem se esparramar na cadeira ou se curvar sobre a mesa. Depois, durante a entrevista, a pessoa adotava o método do contato visual contínuo e prolongado. Quer dizer, ela me encarava o tempo todo. Jamais olhava para o chão ou para o teto. E, principalmente, a pessoa mantinha as mãos sob controle, sem ficar recolhendo os clipes que estavam espalhados sobre a minha mesa.
E cada frase dita era acompanhada de um gesto adequado, sem economias nem exageros. Assim que a entrevista terminava e a pessoa saía da sala, eu dizia Uau! E, imediatamente, jogava seu currículo no lixo. Porque eu ficava pensando que, se essa pessoa for mesmo assim, não vou gostar nem um pouco de trabalhar com ela. E, se ela só estiver encenando, vou gostar menos ainda. Mais tarde, ao conversar com meus colegas que também entrevistaram aquela pessoa, nós concordávamos que os Manuais de Como Se Comportar Adequadamente em Uma Entrevista ensinam tudo menos as duas coisinhas que mais queremos em alguém com quem vamos ter que conviver dez horas por dia. Sinceridade e Autenticidade.
Fonte: Max Gehringer, para a rádio CBN.
Max Gehringer explica como efetuar uma demissão por motivo de baixo desempenho, para alguém novo num cargo gerencial e nunca demitiu ninguém na vida. Continue lendo aqui…
Segundo Max Gehringer à Rádio CBN, um ouvinte diz que se cadastrou em três sites de empregos. Passados quatro meses, ele não recebeu um contato sequer. Agora o ouvinte conseguiu o e-mail de 120 empresas e quer mandar seu currículo diretamente para elas.
Ele faz duas perguntas:
Cadastro em sites de empresas funciona? Como se deve mandar um currículo para uma empresa?
Primeira: não conheço qualquer estatística confiável sobre vagas conseguidas através de sites de empregos. Todas as mensagens que recebi até hoje, e não foram poucas, vieram exatamente pessoas que disseram o que o ouvinte disse, que não receberam qualquer resposta. Não estou afirmando que estes sites não funcionem, mas apenas que não existem dados concretos que permitam avaliar a eficiência deles.
Segunda pergunta: se você ou qualquer pessoa mandar para uma empresa uma mensagem do tipo “Olá, anexo meu currículo para sua análise” a mensagem será imediatamente deletada. Como é possível melhorar um pouco essas chances? Fazendo duas coisas.
A primeira é escrever no e-mail uma mensagem que chame a atenção, um parágrafo, curto e bem pessoal, explicando porque você quer trabalhar naquela empresa, apenas nela e em nenhuma outra.
E a segunda é adaptar o currículo a cada empresa.
Em outras palavras, você enviará 120 currículos diferentes para 120 empresas diferentes. Como isso vai dar uma trabalheira federal, eu sugiro que você selecione apenas 20 empresas. Entre no site delas, leia com cuidado a missão, a visão e os valores dela. Ressalte em seu currículo os cursos que você fez e as experiências que você teve e que tenha ver com o que aquela empresa faz e acredita. Se você não obtiver nenhuma resposta, selecione mais 20, e assim por diante.
Em resumo, as chances aumentarão se você se preocupar com a qualidade de cada currículo e não com a quantidade deles.
Por Max Gehringer para a Rádio CBN em 10 de julho de 2008
Uma boa notícia para pessoas que estão na lista do SERASA e por isso têm sido rejeitadas por algumas empresas quando se candidatam a uma vaga.
No mês passado em Brasília, uma sentença do Tribunal Superior do Trabalho condenou uma empresa do Paraná, que usava a lista do SERASA como uma das referências para a contratação de empregados. Além de pagar uma multa, a empresa foi proibida de continuar usando a lista para qualquer outra finalidade que não seja aquela para qual a SERASA foi constituída: a avaliação de crédito.
A grande diferença nesse processo julgado pelo TST foi o fato que a empresa acionada admitiu que estava mesmo usando lista, ao contrário com o que acontece com a maioria das empresas que alegam outros motivos para não contratar um candidato. Segundo a empresa paranaense alegou, a Constituição permite o uso dessas informações. O TST decidiu que não, porque eliminar um candidato por sua situação pessoal é discriminação, como seriam também por sexo, idade, cor, raça ou estado civil.
Uma empresa pode usar a lista de SERASA para não vender um eletrodoméstico a prazo para uma pessoa, mas pode negar um emprego a esta mesma pessoa, porque como empregada, ela não terá nada a pagar para a empresa, pelo contrário, terá a receber. Em outras palavras, uma pessoa que deixou de pagar uma prestação ou de honrar um cheque, não é desonesta nem criminosa e não pode ter negado o seu direito de trabalhar, até porque, o trabalho lhe permitiria pagar as dívidas pendentes e limpar o nome na SERASA.
Com a sentença do TST servira de base para julgar outros processo semelhantes, ela vale para qualquer empresa que esteja usando a lista da SERASA para rejeitar candidatos a emprego.
Por Max Gehringer para a Rádio CBN em 7 de julho de 2008