Se, ao chegar as férias, seu sentimento é de frustração por não ter conseguido viajar com os amigos, sugiro que você comece a mudar a situação desde já para a próxima temporada. Viagem, seja em férias ou com um objetivo específico, como assistir à Copa do Mundo, as Olimpíadas ou o Carnaval, é uma questão de planejamento. Para que dê certo, ela precisa começar meses ou anos antes da data prevista.
Comece fazendo contas, mesmo sem acreditar que seu sonho é possível. Inclua tudo, da hospedagem às refeições, do vôo ao aluguel do carro dos sonhos, incluindo verbas para lembrancinhas para você e para as pessoas queridas.
O valor total do seu objetivo ou o prazo durante o qual você precisará guardar dinheiro não são muito importantes. O que realmente importa é ter um plano e começar a poupar regularmente um valor pré-definido. Poupe, mesmo que, pelas contas, sua viagem esteja prevista para acontecer somente daqui a quinze anos.
É provável que seu sonho se realize bem antes do que suas contas mostram. O motivo? Primeiro, porque agora você terá um motivo bem definido para poupar, o que o ajudará na disciplina e força de vontade necessárias para chegar lá.
Segundo, porque você terá construído seu plano hoje, com conhecimentos limitados, mas terá vários meses para melhorá-lo, pesquisando alternativas para comprar passagens mais baratas, economizar em hotéis e aluguéis e aumentar a rentabilidade de sua poupança.
Quem tem um projeto consegue melhorá-lo a cada mês, antecipando ou melhorando um sonho cada vez mais próximo da realidade. Quem não tem, continua apenas sonhando.
Texto de Gustavo Cerbasi para o Primeiro Programa.
Dentre as centenas de dúvidas que recebo mensalmente pelo site www.maisdinheiro.com.br, é comum aparecerem comentários equivocados, como os que consideram a casa própria um investimento.
São freqüentes idéias como “Estamos nos casando e decidimos investir em um imóvel de dois dormitórios para nossa moradia”, ou então “Compramos nosso apartamento financiado em vinte anos, mas fizemos um bom negócio, pois ele se valorizou em 40% após cinco anos”.
A moradia não é um investimento, mas sim um consumo. Investir é multiplicar riquezas. Mas o dinheiro consumido em uma moradia não se propõe a ser multiplicado; pelo contrário, mesmo que a moradia vier a perder valor com o tempo, isso pouco nos preocupará, se nela estivermos morando com conforto, segurança e felicidade.
Além disso, você não poderá dispor do dinheiro que vale sua casa diante de outra oportunidade de negócio – em outras palavras, a casa própria não lhe proporciona boa liquidez. Mesmo que o imóvel em que você mora se valorize muito, isso fará pouca diferença. Até hoje, só conheci casos de pessoas que decidiram mudar de uma moradia de elevado valor para uma menor em situações de necessidade financeira, para pagar contas ou liquidar dívidas. O caso mais comum, quando a casa própria se valoriza muito, é o de a família vender o imóvel supervalorizado para comprar outro de igual ou maior valor, aumentando seu consumo e não seu investimento.
Se você quer mesmo investir, compre um imóvel já pensando em revendê-lo, preferencialmente em um prazo não muito longo. Não faltam oportunidades.
Texto de Gustavo Cerbasi
Em Finanças, regularmente teremos textos voltados a uma boa administração de seu dinheiro, com autores de credibilidade ou textos adaptados de obras conceituadas. Assim começamos por Gustavo Cerbasi. Boa leitura!
por Gustavo Cerbasi
Ao contrário do que muitos pensam, o segredo para uma vida mais rica não está em economizar muito, mas sim em gastar bem seu dinheiro. Não se deve deixar de lado a fórmula básica para enriquecer: gastar menos do que ganha e investir bem a diferença. Porém, se ao gastar menos você passa a ter uma vida medíocre, de nada valerá o esforço para acumular patrimônio. É o equilíbrio entre o que você tem hoje e o que terá no futuro que mostra quão rico você é. Por isso, uma vida rica envolve gastar o máximo que você pode hoje, sem comprometer essa capacidade de consumo no futuro. Parece simples, mas envolve comprar mais gastando menos, negociar bem e pagar menos juros hoje, sem esquecer de poupar recursos suficientes para uma aposentadoria próspera.
Você deve estar pensando, “OK, falar é fácil. Difícil é viver com o pouco que ganho!” Será mesmo? Muitos entram no vermelhoporque não têm verba para comprar coisas de que precisame, quando as compram, o dinheiro evapora.
Lembre-se, porém, que tudo aquilo que vocês depende de suas escolhas.Se gasta muito com a casa, é porque optou por uma maior do que poderia pagar. Se gasta muito com automóvel, é porque errou ao escolher uma moradia longe do trabalho (e não um trabalho longe de casa, pois não está fácil ter um bom emprego).
Moradia, saúde, transporte e alimentação são coisas básicas. Mas lazer, prazer e qualidade de vida também são. É seu dever garantir verbas para o que lhe traz mais felicidade, mesmo que isso signifique ter uma casa e um carro menores e roupas mais simples. Sua felicidade é uma medida de sua riqueza.
Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente). Publicado em: Destak – 27.mar.2007