Reflexões sobre nossa democracia
Hoje trago outro “Isqueiro”, importado do site de Luciano Pires: Paulo Saab. Uma rápida reflexão sobre nossa democracia…
Por Paulo Saab
Reflexões são sempre pensamentos que buscam avaliar situações e entender como as coisas se passam. Refletir sobre como vai indo a democracia brasileira, de forma simples, não faz mal algum
Sob o ponto de vista, por exemplo, dos direitos e deveres que consagram a maturidade de uma democracia, o Brasil tem avançado bem.
Pelo ângulo das liberdades individuais e coletivas, preconizadas na Constituição também tem havido grandes conquistas e a liberdade, bem maior de uma democracia, está a cada dia, a cada eleição, a cada pleito, com as raízes mais fortes na vida institucional do Brasil.
Há ainda muitos pontos onde precisamos evoluir para assegurar que a cidadania no Brasil está consolidada num país democrático.
A questão partidária, por exemplo, onde entram a fidelidade, o voto distrital, o voto facultativo, a imposição de horários eleitorais, esses pontos, para citar só alguns, ainda pedem um melhor amadurecimento.
O horário obrigatório eleitoral, neste caso, é algo que destoa de uma plena democracia, revelando que o Estado ainda se impõe à sociedade. Em diversos países democráticos do mundo os partidos políticos com suas arrecadações compram os horários. Aqui as emissoras de televisão e radio são obrigadas a ceder espaço. A programação das emissoras é interrompida bruscamente para uma exposição partidária que se torna antipática.
Entendo que a plenitude da democracia e da cidadania exige conhecimento e responsabilidade. Razão pela qual, uma vez mais, a consolidação de nossa ainda juvenil democracia passa pelos investimentos maciços em educação para educar nossa população e estabelecer uma relação menos dependente entre a sociedade e o Estado. Vivemos numa democracia, mas ainda em construção.
Vejamos, em outro exemplo, a disputa, entre Barack Obama e Hillary Clinton, para ser o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos.
É algo que deve ser olhado com muito interesse pelos brasileiros.
A Nação brasileira está sendo construída e nossas bases democráticas ainda estão em estágio inferior ao já alcançado pelos Estados Unidos. Lá a vida política é regulada sem imposições do Estado, os cidadãos são livres para decidir se querem participar das eleições ou não e os dispositivos constitucionais que garantem a igualdade de direitos, conquistados com muita luta e exigindo permanente vigilância, têm sua vigência respeitada.
O surgimento da disputa pela indicação para concorrer à Casa Branca, entre um político de origem africana, de cor negra, e uma mulher, torna-se, no quadro norte americano algo inusitado, mas natural. Não foi fruto de nenhuma cota, de nenhuma imposição, mas principalmente, do exercício de participação dos negros e mulheres na vida política do país.
No Brasil a cidadania precisa evoluir assim como a participação dos brasileiros comuns, homens, mulheres, negros, ocidentais, orientais, brancos, todos igualados pela condição da cidadania brasileira, participando de sua vida política.
Vai demorar um pouco mais, mas vamos chegar lá. Ainda precisamos vencer nossa própria falta de informações e conhecimentos sobre isso.
Paulo Saab é graduado em Direito pelo Largo de São Francisco(USP), jornalista especializado em rádio e TV, colunista e editorialista do Diário do Comércio e professor universitário. Atua profissionalmente como executivo e participa de entidade como voluntário na causa da educação e da cidadania. Membro de conselhos, associações e organizações nacionais e internacionais. Palestrante, escritor.










